O perigo das “calorias invisíveis”

O perigo das “calorias invisíveis”

 

“Mas eu nem como tanto”. Essa é uma das frases mais comuns no consultório quando sugerimos fazer ajustes na alimentação. E, em muitos casos, ela é verdadeira. As refeições principais podem até ser equilibradas, o problema costuma estar naquilo que é consumido entre elas.

 

Biscoitos e balas durante o trabalho, o café adoçado várias vezes ao dia, o suco ou refrigerante do meio da tarde, pedaços de queijo e embutidos enquanto prepara o jantar, o molho extra no sanduíche, a última ida à geladeira antes de dormir ou aquele “só mais um” que parece pequeno demais para fazer diferença.

 

Isoladamente, nenhum desses deslizes costuma chamar atenção ou ser motivo de preocupação. Entretanto, à medida que passam a fazer parte da rotina, devem acender um sinal de alerta.

 

O que quase nunca entra na conta

Nem tudo o que ingerimos costuma ser reconhecido como parte da alimentação. Alguns alimentos e bebidas são consumidos rapidamente, em pé, enquanto se trabalha, dirige ou faz outra atividade.

 

Como não ocupam o lugar de uma refeição, acabam sendo esquecidos ou minimizados, embora possam acrescentar quantidades importantes de calorias e outros componentes que influenciam a qualidade nutricional da dieta.

 

Molhos prontos, bebidas adoçadas, embutidos, biscoitos, salgadinhos, doces e alimentos ultraprocessados costumam concentrar altos teores de sódio, açúcares e gorduras, favorecendo excessos sem que a pessoa perceba.

 

Pequenos excessos, grandes consequências

O impacto, portanto, não está apenas na quantidade de calorias. A presença frequente desses produtos na rotina pode favorecer alterações metabólicas que acontecem de forma gradual, associadas ao ganho de peso, alterações da pressão arterial, pior controle da glicemia, elevação do colesterol LDL (o “colesterol ruim”) e processos inflamatórios persistentes. Cenário que aumenta o risco de eventos como infarto e AVC, muitas vezes sem provocar sintomas nas fases iniciais.

 

Os excessos que não chamam atenção

Cuidar da alimentação vai além de pensar no café da manhã, almoço e jantar. Também significa prestar atenção ao que é comemos entre as refeições e entender que pequenas escolhas, quando repetidas diariamente, podem ter um impacto maior do que parece.

 

Muitas dessas “calorias invisíveis” são ingeridas por impulso, distração ou hábito, e não por necessidade fisiológica. Beliscar enquanto cozinha, comer durante uma reunião ou aceitar um doce apenas porque ele está disponível são situações comuns que aumentam o consumo diário sem que exista, de fato, fome.

 

Observar esses comportamentos não significa eliminar completamente os momentos de prazer, mas identificar aquilo que deixou de ser exceção e passou a ser feito de forma automática. Muitas vezes, é justamente aí que está a diferença entre uma alimentação que protege o coração e outra que, silenciosamente, eleva o risco cardiovascular.