Como o coração sabe quando deve acelerar ou desacelerar?

Como o coração sabe quando deve acelerar ou desacelerar?  

 

Você aperta o passo durante a caminhada, sobe uma escada ou corre e, em poucos instantes, percebe que o coração passou a bater mais rápido. Por outro lado, logo que a atividade termina, nota que a frequência cardíaca vai diminuindo gradualmente. Esse processo acontece de forma automática, sem que seja necessário pensar ou dar qualquer comando para que o órgão acelere ou desacelere.

 

Por trás desses ajustes está o sistema nervoso autônomo, parte do nosso sistema nervoso responsável por regular funções que acontecem independentemente da nossa vontade. Ele participa, por exemplo, do controle dos batimentos cardíacos, da pressão arterial, da respiração, da digestão e de outras funções essenciais para manter o funcionamento do corpo em equilíbrio.

 

A relação entre coração e sistema nervoso

O coração possui um sistema elétrico próprio, responsável por gerar e conduzir os estímulos que determinam o ritmo dos batimentos. O sistema nervoso autônomo não cria cada batimento, mas modula a frequência e a força das contrações, ajustando o trabalho cardíaco de acordo com as necessidades do organismo em cada momento.

 

Essa regulação envolve duas divisões do sistema nervoso autônomo: o sistema simpático e o parassimpático. Embora tenham efeitos diferentes, elas atuam de forma integrada, permitindo que o coração responda a essas mudanças.

 

O sistema simpático ganha maior atuação quando é necessário aumentar a atividade cardiovascular. Isso acontece durante o exercício, quando os músculos precisam de mais oxigênio e nutrientes, mas também diante de medo, tensão ou estresse. Nesses casos, entra em ação a chamada resposta de luta ou fuga, que prepara o corpo para reagir rapidamente.

 

Quando o sistema simpático é ativado, o coração passa a bater mais rápido e com mais força. Os vasos sanguíneos tendem a se contrair em diferentes regiões, aumentando a pressão arterial e favorecendo a distribuição do sangue para os tecidos que mais precisam dele. Ao mesmo tempo, a respiração acelera e as vias aéreas dilatam, facilitando a entrada de oxigênio.

 

O papel do parassimpático

Em repouso, durante o sono, após uma situação vista como ameaça ou depois que terminamos uma atividade física, o sistema parassimpático passa a exercer maior influência.

E o nervo vago é a principal via dessa comunicação. Seus sinais reduzem a frequência dos batimentos, levando o coração a um ritmo mais lento, compatível com a menor necessidade de circulação do sangue.

 

Essa atuação é especialmente importante na recuperação após situações de maior ativação. À medida que a resposta simpática perde intensidade, a influência parassimpática aumenta e ajuda a restabelecer o equilíbrio entre os dois sistemas.

 

Entretanto, vale ressaltar que esse controle não funciona como um interruptor: o coração não passa simplesmente de “acelerado” para “desacelerado”. Os dois mecanismos do sistema nervoso autônomo estão envolvidos em um processo contínuo de ajuste, que permite, como explicado, adaptar o funcionamento cardiovascular às diferentes demandas. É por isso que a frequência cardíaca varia naturalmente ao longo do dia.

 

Como o sistema sabe o que fazer?

O controle da frequência cardíaca não acontece, portanto, de forma aleatória. O sistema nervoso recebe informações continuamente e, a partir delas, regula a atividade do coração e dos vasos sanguíneos.

 

Essas informações incluem mudanças na pressão arterial, na respiração e nos níveis de oxigênio e gás carbônico, além de sinais relacionados ao esforço físico, às emoções e ao estado de alerta. O sistema nervoso integra assim esses estímulos e ajusta a resposta cardiovascular sem que precisemos tomar uma decisão consciente.

 

Ponto de atenção

Como vimos, as variações da frequência fazem parte do funcionamento normal do organismo. O que merece atenção são mudanças que não parecem compatíveis com a situação ou que aparecem acompanhadas de outros sintomas.

 

Palpitações, batimentos muito acelerados ou muito lentos, tontura, desmaio, falta de ar ou dor no peito, por exemplo, justificam uma avaliação médica, especialmente quando são recorrentes ou surgem sem uma causa evidente. A frequência cardíaca não tem um número fixo. Sua variação faz parte de um sistema de regulação que trabalha continuamente, mesmo quando não percebemos.