O que acontece no coração durante uma viagem de avião?

O que acontece no coração durante uma viagem de avião?

 

Viajar de avião é seguro para o sistema cardiovascular? Essa é uma pergunta comum no período de férias, quando aumentam os voos mais longos e as horas sentado, muitas vezes com a espera já no aeroporto.

 

Esse tipo de viagem parece simples e é de fato algo rotineiro para muita gente, mas o corpo, especialmente o coração e os vasos sanguíneos, percebe que não está em condições habituais e precisa fazer uma série de ajustes às condições do voo.

 

A combinação de altitude, pressurização da cabine e longos períodos sentado na poltrona do avião provoca adaptações importantes no órgão e na circulação do sangue. Para a maioria das pessoas saudáveis, essas mudanças passam despercebidas. Para outras, em particular em voos de maior duração, podem representar riscos que merecem atenção.

 

Pressurização da cabine e oxigenação do sangue

Embora o avião voe a grandes altitudes, a cabine é pressurizada para simular uma altura menor, geralmente equivalente a cerca de 2.000 a 2.500 metros acima do nível do mar. Mesmo assim, a quantidade de oxigênio disponível é um pouco menor do que em solo.

 

Como resposta, o coração tende a bater um pouco mais rápido e com mais força, buscando manter a oxigenação adequada dos órgãos. Para quem está com a saúde em dia, essa adaptação costuma ser imperceptível.

 

Já em indivíduos com insuficiência cardíaca, doença coronariana, arritmias ou doenças pulmonares, esse esforço adicional pode provocar palpitações, cansaço excessivo, desconforto ou sensação de falta de ar.

 

Imobilidade prolongada e circulação mais lenta

Ficar muitas horas sentado durante o voo interfere diretamente na circulação sanguínea. Com menos movimento, o retorno do sangue ao coração acontece de forma mais lenta, favorecendo o acúmulo nas veias dos membros inferiores.

 

Esse cenário aumenta o risco de inchaço e cria condições que facilitam a formação de coágulos, sobretudo em voos longos e quando o espaço reduzido dificulta ainda mais a movimentação do corpo.

 

Atenção redobrada para quem tem trombose

A trombose venosa profunda é uma das complicações mais conhecidas associadas a viagens de avião. Quando um coágulo se forma nas veias das pernas, ele pode causar dor, inchaço e calor local. Em situações mais graves, parte desse coágulo pode se deslocar até os pulmões, causando uma embolia pulmonar, condição potencialmente grave.

 

O risco aumenta em voos superiores a quatro horas e é maior em pessoas com histórico de trombose, doenças cardiovasculares, obesidade, varizes importantes, câncer, tabagismo, uso de hormônios e após cirurgias recentes.

 

Desidratação e espessamento do sangue

O ar dentro da cabine é extremamente seco, o que favorece a perda de líquidos pelo organismo, muitas vezes sem que a pessoa perceba. A desidratação deixa o sangue mais viscoso, dificultando sua circulação e aumentando o risco de coágulos. Além disso, bebidas alcoólicas e cafeína, comuns durante viagens, podem intensificar esse efeito.

 

Cuidados que fazem diferença antes, durante e depois do embarque

O cuidado com o coração começa ainda na fase de planejamento da viagem. Indivíduos com doenças cardiovasculares, histórico de trombose ou fatores de risco devem conversar com o cardiologista antes da viagem, especialmente se o voo for longo. Em alguns casos, ajustes de medicação ou orientações específicas podem ser necessários.

 

Durante o voo, a movimentação é uma das medidas mais eficazes para manter a circulação ativa. Sempre que possível, levantar-se, caminhar pelo corredor e realizar movimentos simples com os pés e panturrilhas, mesmo que sentado, ajudam a reduzir a lentificação do fluxo sanguíneo nos membros inferiores.

 

A hidratação adequada também é fundamental, já que o ar seco da cabine favorece a desidratação e o espessamento do sangue. Evitar excesso de álcool contribui para esse equilíbrio.

 

Após o desembarque, é importante observar sinais como inchaço persistente nas pernas, dor localizada, vermelhidão ou falta de ar. Embora raros, esses sintomas merecem avaliação médica, principalmente em pessoas com maior risco cardiovascular.

 

Além disso, retomar gradualmente a movimentação e manter a hidratação ajuda o corpo a se readaptar às condições normais. Pequenas atitudes reduzem significativamente os riscos. Viajar com informação transforma cuidados simples em aliados importantes da saúde do coração.