Com a demanda do dia a dia e a correria da rotina, muitas vezes é tentador recorrer às comidas prontas. A praticidade de pedir um delivery, optar por um alimento congelado ou até ir a um restaurante próximo parece resolver o problema da falta de tempo. Mas, aos poucos, esse hábito pode se transformar em um padrão alimentar que tem impacto direto sobre a saúde, especialmente do coração.
Por outro lado, o simples ato de cozinhar em casa traz uma série de benefícios que vão muito além do sabor. Cozinhar é um gesto de cuidado: permite escolher o que entra no prato, ajustar o tempero, reduzir o sal, evitar aditivos e, sem perceber, fortalecer o vínculo com a própria saúde. É uma escolha que reflete consciência e prevenção.
Menos ultraprocessados, mais saúde cardiovascular
Os alimentos ultraprocessados, aqueles comprados prontos nas gondolas dos supermercados, a exemplo dos embutidos, enlatados, refeições congeladas e produtos instantâneos, contêm altos teores de sódio, gorduras saturadas e trans, açúcares, corantes, conservantes e outros aditivos químicos. O consumo frequente desses produtos está diretamente associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares.
Fazer a própria refeição significa uma oportunidade para escolher os tamanhos das porções, as melhores combinações e formas de preparo. Na cozinha de casa, é possível optar por azeite em vez de gordura saturada, moderar a quantidade de sal, escolher grãos integrais no lugar das versões refinadas e ajustar os alimentos que entram na dieta.
Essa autonomia reduz o consumo de substâncias nocivas e favorece uma alimentação mais equilibrada, rica em fibras, vitaminas e antioxidantes, que protegem as artérias e o coração.
São pequenas substituições diárias que acumulam efeitos positivos a longo prazo.
Além disso, cozinhar desperta uma percepção mais real dos alimentos. Ao picar, temperar e preparar, cria-se uma relação direta com o que se consome, diferente da distância gerada pelos produtos industrializados. Essa conexão contribui para escolhas mais conscientes e sustentáveis, tanto para o corpo quanto para o meio ambiente.
Impacto na saúde do coração
Estudos mostram que pessoas que cozinham em casa regularmente têm menor risco de desenvolver hipertensão, diabetes, obesidade e dislipidemias, fatores que aumentam o risco de infarto e acidente vascular cerebral – AVC. Isso acontece porque, ao reduzir o consumo de ultraprocessados, há também menor ingestão de sódio e gordura trans, dois dos principais inimigos da saúde cardiovascular.
Pontos a considerar
Cozinhar em casa pode assim ser uma prática protetora, mas não basta apenas preparar a refeição, é também preciso cuidar do que entra no prato. Atenção a certas armadilhas: invista em preparos assados, cozidos e grelhados como alternativa as frituras. Dê preferência sempre às fontes de proteína magras.
Além disso, ao comer saladas, evite molhos industrializados, isso porque eles podem estar comprometendo o valor nutritivo do prato. Procure fazer o molho ou tempero, assim como caldos caseiros para cozinhar.
Legumes enlatados são outro exemplo. Muitas vezes parecerem boas opções para quem não tem tempo, mas alguns estão cheios de conservantes e sódio. Prestar atenção aos rótulos na hora das compras é fundamental para fazer as melhores escolhas. Mesmo dentro de casa, o excesso de gordura e sódio pode transformar uma refeição aparentemente saudável em um risco disfarçado.
Atenção ainda à quantidade. Ao se servir, procure não encher o prato. Se pensar em repetir, espere alguns minutos antes de voltar às panelas. Evite distrações na hora de comer, como TVs ligadas, isso nos estimula a comer mais rápido e sem atenção a mastigação e ao que ingerimos. Atente-se ainda as louças que usa: quanto maior o espaço, maior a possibilidade de excessos.
Restaurantes, mais variedade no cardápio e menos controle do preparo
Muitas vezes, quem trabalha fora não tem muita opção e precisa recorrer constantemente aos restaurantes e deliveries. Contudo, o alerta segue para certos pontos. O primeiro é em relação à qualidade daquilo que se consome.
Na maior parte dos casos, calorias, gorduras e carboidratos ganham mais espaço do que nutrientes recomendados – e necessários – na busca por sabor. Importante novamente estar também de olho na quantidade: de modo geral, os restaurantes servem porções de duas a três vezes maiores do que devemos consumir a cada refeição.
O cuidado, especialmente nesse quesito, fica particularmente a cargo dos estabelecimentos com prato feito ou aqueles em que é cobrado um valor fixo, porém, é permitido comer à vontade. Como muitos indivíduos não se atentam ao tamanho adequado das porções, a tendência é que comam em excesso.
Além disso, em um restaurante não é possível ter controle sobre a forma em que os itens são preparados. E nesse sentido, alguns pratos ganham ingredientes extras a fim de trazer mais sabor, porém, são menos favoráveis a saúde.
Alternativas e saídas mais saudáveis
No caso de pratos feitos ou porções grandes, busque compartilhar a refeição. Se estiver sozinho, se questione se precisa daquilo tudo. Devemos sempre considerar levar o que sobrou para consumir depois. Em estabelecimentos por quilo, verifique as opções antes de sair enchendo o prato com tudo o que vê pela frente. Faça combinações e reserve boa parte do espaço para saladas e vegetais.
Quando há um menu, tente variar e inclua opções saudáveis. Considere também como a comida é preparada: se é servida crua, frita, assada, grelhada, cozida, etc. Procure limitar frituras, gratinados, com manteiga e molhos com alto teor de gordura. Cuidado com os “extras” da refeição, como coquetéis, aperitivos e pães. Eles são, muitas vezes, uma fonte de calorias, gorduras e sódio a mais.
Faça substituições benéficas, como trocar a batata frita por assada ou legumes cozidos e o arroz ou macarrão por suas versões integrais. Evite fast food no dia a dia. Não é preciso cortar essa opção da dieta alimentar, mas tente equilibrar e reservar dias específicos para comer pratos mais calóricos e/ou gordurosos.
