Hipertensão noturna: um risco silencioso para a saúde cardiovascular
A pressão arterial elevada durante a noite pode ser mais perigosa do que você imagina
A hipertensão noturna é uma condição caracterizada pela elevação anormal da pressão arterial durante o período do sono. Em indivíduos saudáveis, a pressão tende a cair entre 10% e 20% no decorrer da noite, um fenômeno conhecido como “dipping” noturno.
Isso porque a finalidade de dormir é a recuperação do corpo: quando dormimos, a respiração se estabiliza e o ritmo cardíaco e pressão diminuem, fazendo o organismo entrar em um estado de compensação de energia, como se fizesse uma recarga para o dia seguinte.
Entretanto, em pessoas com hipertensão noturna, essa redução não ocorre adequadamente ou, em alguns casos, a pressão pode até aumentar, elevando o risco de complicações cardiovasculares graves.
Como saber se minha pressão está alta?
Uma pressão considerada normal tem máxima de 12 e mínima de 8 (120 x 80 mmHg). Quadros de pré-hipertensão são definidos por uma pressão sistólica entre 130 e 139 mmHg e diastólica entre 85 e 89 mmHg.
O diagnóstico de hipertensão é dado quando os números chegam e permanecem em 14 por 9 ou mais (140 x 90 mm Hg). No entanto, uma medida isolada com valores alterados não é suficiente para determinar o quadro.
Diagnóstico
Assim, a principal característica da hipertensão noturna é a manutenção de níveis elevados de pressão arterial enquanto o indivíduo dorme. Isso pode ser identificado por meio do Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) de 24 horas, que permite avaliar a variação ao longo do dia e da noite.
Existem diferentes padrões de variação da pressão arterial noturna, com a seguinte classificação:
– Dippers: queda normal da pressão arterial entre 10% e 20% durante o sono.
– Non-dippers: redução inferior a 10%.
– Reverse dippers: aumento da pressão arterial durante a noite.
– Extreme dippers: redução superior a 20%, o que também pode estar associado a riscos cardiovasculares.
Inimigo silencioso
Para grande parte das pessoas, a hipertensão de modo geral se manifesta de forma silenciosa, sem dar qualquer indício e, muitas vezes, leva anos para ser descoberta, até que provoque um evento sério, como um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).
As estimativas revelam que apenas 10% dos hipertensos apresentem sinais, aspecto que acaba provocando o diagnóstico tardio e a baixa adesão da população ao tratamento. Quando falamos de hipertensão noturna o problema pode ser ainda mais preocupante, uma vez que, a menos que haja uma suspeita, a maioria das medições de pressão ocorre durante o dia, mascarando alterações significativas no período noturno.
Quando há sinais…
Os sintomas só aparecem, geralmente, junto com as complicações, em especial em meio a uma crise hipertensiva. Nesses casos, os mais comuns são: dores de cabeça matinais, sensação de fadiga ao acordar, sonolência diurna excessiva, dificuldade de concentração e problemas cognitivos, palpitações ou sensação de pressão no peito.
Principais consequências para a saúde cardiovascular
A hipertensão noturna está fortemente associada ao aumento do risco de problemas relacionados ao coração, que passa exercer um esforço maior do que o normal na distribuição do sangue. Como vimos, a ausência da redução da pressão arterial impede a recuperação do corpo, em particular do sistema cardiovascular durante o sono.
Em longo prazo, esse estresse contínuo provocado pela pressão alta contribui, por exemplo, para o aparecimento de aneurismas e o desenvolvimento de doenças como hipertrofia ventricular esquerda, arritmias, insuficiência cardíaca e doença arterial coronariana, aumentando significativamente o risco de um infarto do miocárdio, AVC isquêmico e hemorrágico.
E não é só o coração e o cérebro que podem sofrer com a condição, a hipertensão prolongada pode levar à doença renal crônica e a insuficiência renal (os rins precisam filtrar o sangue).
Prevenção e tratamento
O manejo da hipertensão noturna envolve mudanças de hábitos e estilo de vida e, em alguns casos, o uso de medicamentos específicos. Algumas estratégias incluem o monitoramento regular da pressão, especialmente por meio do MAPA 24h, e acompanhamento médico – incluindo possíveis ajustes na administração de anti-hipertensivos para garantir controle noturno.
Além disso, é recomendado a adoção de uma dieta balanceada, rica em alimentos naturais, evitando o consumo de sódio e ultraprocessados; gerenciamento do estresse e da saúde mental; prática regular de exercícios físicos; cuidados com o sono, com manutenção de horários recorrentes para dormir e sem estímulos antes de deitar.
Pontos de atenção
A condição pode atingir qualquer pessoa, contudo alguns fatores contribuem com o surgimento do problema. Entre eles estão idade avançada, com maior prevalência em idosos; distúrbios do sono, como apneia obstrutiva do sono; obesidade; sedentarismo; doenças renais crônicas; resistência à insulina e diabetes; estresse crônico; alterações hormonais; consumo excessivo de sal, álcool e tabaco.
A hipertensão noturna é uma condição frequentemente negligenciada, mas, conforme explicado, com consequências graves para a saúde cardiovascular. O diagnóstico precoce e o controle adequado são fundamentais para reduzir os riscos associados e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.