12 riscos “ocultos” para a saúde cardiovascular
Descubra o que pode afetar o coração, mas nem sempre é tido como um alerta
A saúde do coração é essencial para uma vida longa e de qualidade. Embora muitos conheçam os riscos clássicos para os problemas que envolvem o órgão, como pressão alta, obesidade, colesterol elevado, diabetes, sedentarismo e tabagismo, existem fatores menos óbvios, mas que também impactam seriamente o sistema cardiovascular.
Neste texto, vamos explorar alguns desses riscos “ocultos” que merecem atenção. Pontos relacionados a fatores externos (que não são de nosso absoluto controle, mas que da mesma forma interferem e são potencialmente prejudiciais), hábitos ou situações que vivemos hoje e podem prejudicar nosso coração dentro de alguns anos.
1 – Exposição prolongada ao estresse
Quando o corpo enfrenta situações de estresse intenso de forma recorrente, há um aumento na liberação de hormônios, como adrenalina e cortisol, que elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial. Esses efeitos imediatos podem ser úteis em situações de “luta ou fuga”, mas quando prolongados, tornam-se perigosos.
O estresse contribui para a inflamação crônica, danificando os vasos sanguíneos e aumentando o risco de doenças, como aterosclerose e hipertensão. Em casos extremos, o trauma emocional chega a levar à síndrome do coração partido (cardiomiopatia de Takotsubo ou ainda cardiomiopatia induzida por estresse).
Trata-se de uma condição que se caracteriza por uma alteração no órgão desencadeada por situações de estresse agudo, emocional ou físico, como a morte de uma pessoa querida, o rompimento de um relacionamento afetivo ou um acidente com graves consequências. A síndrome é um descompasso temporário no funcionamento do músculo cardíaco. Como resposta, o organismo pode produzir sintomas semelhantes aos do infarto.
2 – Poluição do ar e exposição a substâncias tóxicas
Morar em áreas com altos índices de poluição do ar pode prejudicar a saúde cardiovascular. Mas a realidade é que hoje ninguém está completamente protegido dessa exposição, uma vez que a poluição está presente, em maior ou menor concentração, nos mais diferentes lugares.
Por se tratar de um material particulado na atmosfera – partículas muito finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar -, ele acaba se espalhando para além dos centros urbanos, afetando também locais mais afastados.
Para o sistema cardiovascular, as consequências mais significativas envolvem resposta inflamatória pulmonar, alterações na coagulação, isquemia cardíaca (redução do fluxo sanguíneo para o coração impedindo que ele receba oxigênio suficiente), elevação da pressão, alterações na frequência (arritmias) e disfunção da anatomia do órgão. Mudanças que aumentam, inclusive, o risco de um infarto agudo do miocárdio.
3 – Ruídos constantes no ambiente
E quando falamos em poluição, os problemas não vêm apenas do que está no ar, mas também daquilo que chega até nós através dos ouvidos. Pesquisas revelam que a exposição ao ruído alto e excessivo constantemente ativa o sistema nervoso simpático, que regula o estresse e a frequência cardíaca. Ambientes barulhentos aumentam a liberação de adrenalina e cortisol, hormônios que, como já dito, estão associados ao estresse e a ansiedade.
Esses hormônios estimulam o coração a bombear sangue mais rapidamente e elevam a pressão. O resultado desse cenário, com o passar do tempo, é o aumento de tensão nos vasos sanguíneos e no coração, levando a maior chance do desenvolvimento de inflamações, danos das células e ataques cardíacos.
4 – Uso excessivo de dispositivos eletrônicos
O uso prolongado de telas está associado a dois problemas principais: sedentarismo e má qualidade do sono. Ficar sentado por longos períodos reduz a circulação sanguínea, aumenta o risco de formação de coágulos (como trombose venosa profunda) e pode elevar os níveis de colesterol.
Por outro lado, a luz azul emitida pelas telas interfere na produção de melatonina, dificultando o sono reparador. Dormir mal está diretamente relacionado ao aumento da pressão e maior risco de infarto.
5 – Desidratação
A água desempenha papel crucial no funcionamento do organismo, incluindo o sistema cardiovascular. Conforme perdemos líquido por meio da transpiração, respiração e urina, e não fazemos a reposição necessária, a quantidade de sangue que circula pelo corpo diminui.
Os vasos sanguíneos vão se fechando (com a constrição de suas paredes) para manter a pressão arterial dentro do ideal. O sangue fica mais grosso e a frequência cardíaca aumenta. O cenário força o coração a trabalhar mais e pode acarretar em palpitações e arritmias.
Além disso, a desidratação desestabiliza os níveis de eletrólitos (como sódio, potássio e cálcio), que são essenciais para o funcionamento do músculo cardíaco. Uma desidratação severa leva a uma grande diminuição do volume de sangue, o que resulta na redução excessiva da pressão. Quando o corpo não consegue entregar o fluxo de sangue e oxigênio adequados aos órgãos e tecidos, o organismo pode entrar em choque hipovolêmico, uma das complicações mais graves da desidratação.
6 – Trabalho em turnos ou horários irregulares
Para começar precisamos considerar que os seres humanos de modo geral não estão adaptados a trabalhar durante a noite e dormir de dia. O trabalho noturno afeta diretamente o ritmo circadiano, aquele que regula o relógio biológico. Uma das explicações é a falta ou a má qualidade do sono, uma vez que quem dorme durante o dia sofre a influência de diversos estímulos, como claridade e barulhos.
A desregulação desse ciclo pode aumentar os níveis de cortisol, inflamação e prejudicar o funcionamento metabólico. A privação de sono e os horários irregulares de descanso também comprometem a capacidade do corpo de reparar os vasos sanguíneos e regular a pressão.
Estudos mostram que pessoas que trabalham à noite têm maior risco de hipertensão, resistência à insulina e até infarto. Estatísticas apontam que quem trabalha à noite tem cerca de 30% mais chances de apresentar problemas cardíacos.
7 – Assédio moral ou emprego ruim
Uma pesquisa publicada no European Heart Journal indica que viver uma situação de assédio moral constante no ambiente de trabalho é mais um dos fatores que eleva os riscos de complicações cardiovasculares. A explicação mais uma vez está relacionada ao aumento dos níveis de estresse crônico, além das taxas de colesterol ruim (LDL), da proteína C reativa e da pressão sanguínea.
O levantamento revelou que quem trabalha em um ambiente no qual o assédio moral de chefes e colegas é constante tem um risco 59% maior de sofrer doenças cardíacas em comparação aos que não foram expostos a nenhum tipo de bullying ou assédio.
8 – Desemprego
Quem está sem trabalho também pode ter como consequência questões envolvendo o coração. Um cenário de desemprego gera estresse, insegurança, ansiedade, desamparo e sensação de incompetência. Além disso, a ameaça de desequilíbrio financeiro leva alguns indivíduos à tristeza profunda, e caso isso se agrave, a uma depressão.
Um estudo publicado na revista Archives of Internal Medicine aponta que pessoas desempregadas por muito tempo têm o dobro de risco de desenvolver doenças mentais e altas chances de ter ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC). O levantamento ainda revela que quando isso acontece muitas vezes com a mesma pessoa, a chance de um infarto chega a ser semelhante à de um fumante.
9 – Temperaturas extremas
A exposição constante a temperaturas muito quentes ou frias é capaz de provocar uma sobrecarrega no sistema cardiovascular. O frio extremo, por exemplo, pode causar a constrição dos vasos sanguíneos (para preservar o calor), o que aumenta a pressão arterial e força o coração a trabalhar mais. Pessoas com doenças cardíacas preexistentes são mais vulneráveis a ataques cardíacos durante o inverno.
Por outro lado, altas temperaturas causam dilatação dos vasos sanguíneos e promovem a perda de líquidos pelo suor. Isso pode levar à desidratação que, conforme explicado acima, pode afetar o órgão de diversas maneiras.
10 – Uso prolongado de suplementos alimentares
Muitos suplementos alimentares prometem melhorar o desempenho físico ou ajudar na perda de peso, mas alguns podem conter substâncias que prejudicam o coração, como estimulantes (cafeína em doses altas) e hormônios.
Essas substâncias aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão e causam arritmias. Além disso, alguns produtos contêm ingredientes não regulamentados ou em concentrações perigosas.
11 – Consumo excessivo de açúcar
Embora o açúcar seja frequentemente associado ao ganho de peso, ele também é um fator de risco oculto para doenças cardiovasculares por outra razão. O consumo excessivo de açúcares adicionados (ou seja, que não são naturais do alimento) aumenta a intensidade e a produção de triglicerídeos no fígado, o que contribui para o acúmulo de gordura nas artérias. Além disso, dietas ricas em açúcar estão associadas à resistência à insulina, que é um precursor do diabetes tipo 2 e um fator significativo para complicações cardíacas.
12 – Pular o café da manhã
Quando pular o café da manhã vira um hábito na rotina, pode trazer problemas! Isso porque quem não faz uma refeição equilibrada ou não come nada antes de sair de casa ou começar o dia tem mais riscos de ter problemas no coração. Foi o que concluiu uma pesquisa publicada no Journal of the American College of Cardiology (EUA).
Os riscos estão particularmente relacionados ao que essa pessoa ingere quando a fome bate. De modo geral, quem pula o café da manhã acaba optando por alimentos processados, cheios de gordura e açúcares. Conforme indica o estudo, deixar de se alimentar de manhã de forma equilibrada dobra as chances de desenvolver arteriosclerose, condição caracterizada pelo aumento da espessura da parede das artérias e que, em alguns casos, pode levar ao infarto.