Quando foi sua última consulta no cardiologista?

O início do ano é uma oportunidade para colocar a saúde como prioridade e programar ações que garantam bem-estar ao longo dos próximos meses. É aquele momento de aproveitar a energia de um novo ciclo para estabelecer um compromisso que pode impactar positivamente todas as áreas da sua vida: cuidar do seu coração!

 

Isso porque a saúde cardiovascular é essencial para garantir qualidade de vida e longevidade. O coração é um dos órgãos mais importantes do nosso corpo, e muitas complicações e doenças cardiovasculares, como hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca e infarto, podem ser prevenidas ou tratadas precocemente com acompanhamento médico regular.

 

Assim, manter seu check-up cardiológico é importante em qualquer fase da vida. E nos dias de hoje, em função da qualidade e ritmo que levamos, do estresse, preocupações e problemas do dia a dia, o monitoramento deve ser iniciado precocemente, mesmo para quem se sente saudável. Já não é possível determinar uma idade de risco para um evento cardíaco grave. A ideia de prevenção somente a partir dos 40 anos é coisa do passado.

 

Quando e com que frequência procurar um cardiologista?

Alguns fatores influenciam na idade de início e na periodicidade com que essas consultas devem acontecer, entretanto, quanto mais cedo melhor. E quando digo cedo, me refiro a diagnósticos feitos até mesmo antes do nascimento.

 

E tal qual a idade para começar suas visitas ao cardiologista, alguns aspectos influenciam na periodicidade com que isso deve acontecer. É primordial considerar o estado de saúde de cada indivíduo particularmente. Há quem precise de monitoramento semanal até que suas condições se estabilizem e outros que podem fazer intervalos de meses ou anos.

 

Cuidados que antecedem o nascimento

Com os recursos disponíveis hoje, é possível realizar ainda durante a gestação a avaliação cardiológica não somente da mãe, mas também da criança. O ecofetal é capaz de diagnosticar cardiopatias muito graves e em algumas situações conseguimos até tratar o problema com o bebê no útero ou nos primeiros dias de vida. A recomendação é que a gestante faça esse exame com cerca de 20 semanas, quando o feto já está mais formado.

 

No caso das mães, quando se trata de uma gravidez planejada, especialmente para aquelas que nunca passaram por uma avaliação cardíaca, a recomendação é que procurem um especialista antes mesmo de engravidar. Em um simples exame clínico, conseguimos detectar questões que podem colocar a gestação ou a vida em risco, principalmente de válvula ou sopro no coração.

 

Se houver casos na família

Após o nascimento, de modo geral, a primeira avaliação no cardiologista deve ser feita a partir dos 30 anos em pessoas que têm episódios na família – e quando não há nenhum indício para realizá-la antes. Vale ressaltar que na cardiologia temos algumas anomalias que podem se replicar de geração em geração, a exemplo das miocardiopatias, doenças degenerativas da aorta e aquelas que causam distúrbios do ritmo cardíaco (como as arritmias).

 

A genética também pode predispor um indivíduo a outras condições, como a hipercolesterolemia familiar, patologia que se caracteriza por manter níveis muito elevados do colesterol de baixa densidade, o LDL-c, no sangue – o popular colesterol ruim, que contribui para a formação de placas de gordura nas artérias. A doença é responsável por 5 a 10% dos eventos cardiovasculares em pessoas abaixo dos 50 anos.

 

Assim, quem tem pais, avós, tios ou irmãos que passaram por algum problema cardiovascular têm um risco maior, por exemplo, de desenvolver a doença arterial coronariana (DAC), sofrer um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) ou ainda apresentar disfunções no órgão que, muitas vezes, só são descobertas após o corpo dar algum sinal ou em investigações preventivas.

 

Indivíduos sem histórico de doenças cardíacas

Para as mulheres que não apresentam fatores de risco significativos (como obesidade, pressão e colesterol altos, pré-diabetes ou diabetes, tabagismo ou sedentarismo), sintomas e histórico familiar, o indicado é começar esse acompanhamento cardiológico entre 35 e 40 anos. Para os homens, a partir dos 35 anos.

 

No caso da frequência, é preciso considerar também, além da questão genética, os hábitos e antecedentes de cada um. Dentro das faixas mencionadas acima, para quem tem o hábito de fazer check-ups, com colesterol normal, sem hipertensão, que pratica atividades físicas e não tem nenhum fator de risco, é possível fazer o acompanhamento a cada dois anos.

 

A partir dos 40 anos, é aconselhável passar por uma consulta anualmente. O monitoramento anual é igualmente indicado, em geral, para indivíduos destes mesmos grupos, mas que têm algum fator de risco leve ou histórico familiar, mas nenhum sintoma.

 

Grupos que precisam de mais atenção

Já entre indivíduos com síndromes metabólicas e questões associadas, como hipertensos, diabéticos, obesos e pessoas que têm o colesterol elevado, o acompanhamento deve ser semestral. Entre os hipertensos, muitos descuidam da pressão ao longo do tempo, o que pode gerar um desgaste das artérias, principalmente as coronárias, que acabam levando ao aparecimento da DAC.

 

No caso de pacientes que têm certa resistência a tomar ou manter a regularidade de medicamentos de uso contínuo, muitas vezes é preciso reduzir esses intervalos para períodos menores, de 4 em 4 meses. Importante assim reforçar que cada caso é um caso e que essa periodicidade pode variar dependendo do quadro apresentado.

 

Sintomas ou condições preexistentes

Para pessoas que já têm algum diagnóstico de cardiopatia, a recomendação é novamente de uma visita ao especialista de 6 em 6 meses – ou menos, conforme indicação do profissional que está acompanhando a evolução do quadro. Em casos de insuficiência cardíaca, por exemplo, dependendo do grau, é possível que haja a necessidade de supervisão trimestral.

 

Esteja atento aos sinais do corpo sempre!

No entanto, em qualquer época da vida, ao sentir alguma limitação do ponto de vista físico, um cansaço excessivo e fora do normal, dores no peito, falta de ar, desmaios ou palpitação (o coração bate de forma muito acelerada ou irregular) é essencial procurar um cardiologista com urgência. Esses sintomas podem se manifestar por conta de uma deficiência do coração que precisa ser diagnosticada e tratada de imediato.

 

Liberação para a prática esportiva

Vale ressaltar ainda a importância da realização de um check-up cardiológico antes de iniciar qualquer programa de exercícios. Os problemas cardiovasculares estão entre as principais causas de eventos fatais durante a prática de atividades físicas, inclusive entre pessoas jovens. Para a obtenção dos benefícios, sem potenciais riscos, é imprescindível que a atividade se adapte às condições de idade, sexo, condição física e de saúde de cada indivíduo.

 

Prevenir é o melhor caminho!

Esperar que um sintoma se manifeste pode ser tarde quando falamos do coração. Muitas doenças são silenciosas e evoluem sem sintomas até atingirem um estágio avançado. Eventos graves e até fatais podem não dar qualquer indício até que efetivamente aconteçam, como o infarto do miocárdio.

 

Por isso, para saber se há ameaças, é necessário investigar, acompanhar e manter os cuidados ao longo de toda a vida. Muitos recorrem à medicina apenas para solução de problemas, contudo, agir proativamente quando o assunto é a saúde cardiovascular pode ser determinante no agravamento ou surgimento de doenças.