
Pets e o coração: como a convivência com animais ajuda a prevenir doenças cardiovasculares
Você sabia que ter um animal de estimação pode ser benéfico para a sua saúde cardíaca? Mais do que amizade, amor incondicional e companheirismo, estudos têm demonstrado que a convivência com os pets está associada à prevenção e redução do risco de doenças cardiovasculares, além da melhoria de diversos aspectos relacionados ao bem-estar físico e emocional.
Seja um cachorro, gato ou outro bicho, como aves e hamsters, segundo especialistas da American Heart Association, os pets são aliados no controle de fatores de risco para complicações cardíacas, como obesidade, hipertensão, triglicérides e colesterol – condições que favorecem a aterosclerose, ou seja, a formação de placas de gordura nas artérias que podem desencadear infartos e outros problemas que envolvem o coração e os vasos sanguíneos.
As pesquisas sobre o tema revelam ainda que ter animais em casa contribui na recuperação de eventos cardiovasculares graves, como um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC), e até mesmo no aumento da expectativa de vida.
Redução do estresse
Interagir com um animal de estimação, como acariciar um cão ou gato, estimula a liberação de hormônios do bem, como endorfina e oxitocina. Essas substâncias promovem a sensação de calma e ajudam a reduzir os efeitos do estresse, como os causados pelo excesso de cortisol e adrenalina. Menores níveis de estresse estão diretamente relacionados à diminuição da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas.
Pesquisas sugerem, por exemplo, que indivíduos que vivem com cães experimentam menor reatividade cardiovascular durante situações estressantes. Ou seja, o ritmo cardíaco e pressão sobem menos e voltam ao normal mais rapidamente, minimizando os efeitos sobre o corpo. Uma das razões é que os pets satisfazem a necessidade básica de contato, proporcionam relaxamento e bem-estar e criam um ambiente menos propenso a situações de alta tensão.
Melhora da saúde mental
Nesse sentido, a conexão com um pet também ajuda a diminuir a incidência de quadros de ansiedade e depressão, condições que impactam negativamente a saúde cardiovascular. Uma mente mais tranquila reflete diretamente em um corpo mais saudável, com menor risco de arritmias e outros problemas que atingem o coração.
Isso porque, como visto, o contato com bichos de estimação estimula a produção de diversas substâncias no organismo que promovem um efeito relaxante e terapêutico. Afagar, tocar ou abraçar um animal amoroso pode ser um calmante natural em quadros de ansiedade.
Além do mais, não é raro encontrar casos de pets que estão fortemente sintonizados com seus donos, percebendo mudanças de comportamentos e emoções. Os cães, por exemplo, são capazes de entender as palavras usadas e interpretar o tom de voz, linguagem corporal e gestos. É como se conseguissem avaliar nosso estado emocional para entender o que estamos pensando e sentindo.
Desta forma, a sensação de bem-estar, felicidade e conforto gerada no convívio com os pets resulta também na diminuição dos níveis de adrenalina (substância ligada à elevação da pressão) e no aumento de serotonina e dopamina, que estimulam o relaxamento.
Estímulo à atividade física
Animais, especialmente os cães, incentivam seus donos a se exercitarem regularmente. A simples presença de um animal em casa incentiva um estilo de vida menos sedentário. Além de caminhadas diárias, cuidar de um pet exige movimentação constante, como alimentar, limpar ou brincar, o que contribui para manter o corpo ativo.
O exercício físico praticado com frequência melhora a circulação sanguínea, fortalece o coração e ajuda a controlar o peso corporal, pontos cruciais na prevenção de condições como hipertensão, diabetes e colesterol alto.
Redução do isolamento social e da sensação de solidão
O isolamento social e a solidão são outros fatores desencadeantes de problemas no sistema cardiovascular que a convivência com os bichos de estimação minimiza. Ter um animal de estimação é ter sempre companhia.
Eles são, em sua maioria, compreensíveis, solidários e fiéis, o que favorece a criação de uma relação de confiança e afeto com seus donos. Quem tem um pet sabe como é chegar em casa e ser recebido com festa e carinho. Cuidar de um animal ajuda ainda a sentir-se necessário e desejado, e tirar o foco de problemas.
Além disso, os pets geralmente estimulam interações sociais, seja durante passeios ou visitas ao veterinário, por exemplo. A tendência é conhecer gente diferente e criar vínculos com outros donos de animais. Os bichos motivam a comunicação, o que é bom para a saúde emocional e cognitiva. Essas interações fortalecem laços humanos, que têm um impacto positivo na saúde emocional e física.
Parceiros na recuperação
Por fim, é preciso salientar a importância dos animais nos tratamentos e na recuperação de pacientes, inclusive aqueles com problemas cardíacos. São crescentes os casos de pets liberados para visitar seus tutores internados, visando melhorar ou acelerar o processo de recuperação de crianças e adultos.
Outro ponto é o clima que os bichos trazem ao ambiente. Em lares para idosos, por exemplo, os animais têm o poder de criar uma atmosfera “caseira”. Sendo assim, mesmo sem condições de criar um pet, é interessante encontrar oportunidades para passar um tempo com animais no dia a dia.
Envelhecer com mais qualidade
Um estudo realizado pela Universidade de Michigan/EUA (divulgado em 2019) aponta que a convivência com os pets promove um envelhecimento com mais bem-estar e qualidade. Entre os participantes (2 mil pessoas de 50 a 80 anos), 90% daqueles que têm cães, gatos e pássaros dizem que o animal os ajuda a aproveitar a vida e se sentir amados; 80% afirmam que os bichos reduzem o estresse e mais de 60% das pessoas que têm um pet relatam que eles são essenciais quando é preciso lidar com questões como depressão, isolamento social e solidão.
Pontos de atenção
Vale reforçar, entretanto, que a companhia de um bicho de estimação é um dos pilares de uma estratégia abrangente para a redução de riscos de doenças cardiovasculares e demais questões de saúde. Portanto, isso não significa que os outros cuidados devem ser deixados de lado.
Importante apontar também que há aspectos negativos desse convívio, como as dificuldades para se ausentar por longos períodos ou mesmo manter uma rotina fora de casa, gastos financeiros, alergias e quedas ou machucados. Porém, com planejamento, os devidos cuidados e possíveis adaptações, os benefícios prevalecem. Zelar por outro ser dá propósito à vida. Assim, os bichos de estimação podem nos ajudar a ter uma vida mais longa e melhor.
