Sinais de glicose alta

Você sabe quais são os principais sinais de glicose alta?

A glicose (ou açúcar) desempenha papel crucial para manutenção das funções vitais e o bom funcionamento do organismo. Isso porque ela é uma das principais fontes de energia do corpo, o combustível para que todos os processos fisiológicos ocorram. Além disso, é importante no suporte das atividades cerebrais.

 

No entanto, é preciso que seus índices no sangue se mantenham dentro de parâmetros considerados normais, ou seja, abaixo de 100 mg/dL (em jejum). Números acima disso indicam o que chamamos de hiperglicemia.

 

Principal motivo para se preocupar: o diabetes!

A questão é que se os níveis de açúcar ficam muito altos, pode ocorrer um desgaste metabólico capaz de gerar inúmeros danos à saúde. Em busca de baixar e equilibrar novamente essa taxa, o organismo vai precisar liberar insulina, hormônio produzido pelo pâncreas responsável em mover a glicose da corrente sanguínea para dentro das células, assim fazendo o que chamamos de controle glicêmico.

 

Se isso não ocorre, o açúcar fica acumulado e causa uma série de problemas, incluindo o diabetes – um dos principais fatores de risco para complicações no coração. A hiperglicemia está assim associada à condição por conta da sobrecarga provocada no pâncreas, que não consegue produzir insulina suficiente (diabetes tipo 1) ou torna-se incapaz de usar o hormônio de forma eficaz (diabetes tipo 2).

 

Uma pessoa é classificada como pré-diabética ao atingir entre 100 e 125 mg/dl de glicemia ou valores de 5,7 a 6,4% na dosagem da hemoglobina glicada. A partir de 126 mg/dl ou superior a 6,4% de hemoglobina glicada são considerados quadros de diabetes. Portanto, é essencial estar atento aos sinais e possíveis sintomas que essa alta desencadeia a fim de evitar consequências mais sérias.

 

Sinais de alerta

Quadros de glicose elevada costumam afetar diferentes sistemas do corpo de maneira distinta. É possível apresentar um ou mais sintomas ao mesmo tempo. Em alguns casos, pode não haver qualquer indício até que o nível de açúcar esteja muito alto. Abaixo, seguem os de maior relevância e que se manifestam com mais frequência:

 

1- Sensação de sede contínua: Sentir uma sede intensa e constante é um dos sintomas mais comuns de glicose alta no sangue. Isso ocorre porque o corpo tenta eliminar seu excesso através da urina. No entanto, junto com o açúcar, vai também a água. Cenário que pode levar à desidratação, uma vez que o organismo perde mais líquidos do que o normal.

 

2 – Vontade excessiva de urinar: Como vimos, à medida que o açúcar não é adequadamente absorvido pelas células, fica acumulado na corrente sanguínea. No entanto, o excesso precisa ser expelido. Logo, os rins são acionados. O indivíduo, então, passa a ter mais vontade de urinar.

 

3 – Fome: Apesar de consumir alimentos regularmente, uma pessoa com os níveis de glicose altos pode sentir fome constantemente. Isso ocorre porque as células do corpo não estão recebendo a quantidade necessária de glicose para obter energia.

 

4 – Fadiga, cansaço e sonolência: O organismo passa a ser mais exigido quando precisa eliminar o excesso de glicose em circulação no sangue. Além disso, nesse momento, as células não estão recebendo glicose suficiente para produzir energia. Desta maneira, o corpo precisa buscar recursos nos músculos e nas reservas de gordura para exercer suas funções. O resultado é uma constante sensação de fraqueza e cansaço, mesmo sem realizar grandes esforços.

 

Como consequência dessa deficiência, o cérebro também acaba ficando sem energia para manter-se em pleno funcionamento. Para se preservar, reduz então o metabolismo e desacelera os processos corporais, gerando sonolência. Dores de cabeça e problemas de atenção são outros sintomas que podem surgir.

 

5 – Alterações na visão: Os efeitos do nível elevado de açúcar também podem ser sentidos nos olhos. Inchaço, visão embaçada ou dificuldade para focar objetos são alguns dos sinais. Em resumo, a alta na glicose afeta os vasos sanguíneos que irrigam a retina, membrana que fica atrás dos olhos, e o cristalino, nossa lente natural, mudando sua forma e flexibilidade.

 

6 – Perda de peso inexplicável: Em alguns casos, a hiperglicemia leva ainda a perda de peso, apesar do aumento do apetite – particularmente nos casos que já evoluíram para diabetes e o corpo não produz ou não consegue usar a insulina de maneira adequada.

 

A dificuldade de transporte do açúcar do sangue para os órgãos e tecidos provoca a falta de energia para essas estruturas. O quadro faz com que o organismo, como explicado acima, recorra às reservas de gordura e massa muscular, levando a uma possível queda repentina no peso corporal total.

 

7 – Infecções frequentes: Quando há o acúmulo de açúcar no sangue, os glóbulos brancos têm dificuldade de se deslocar pela corrente sanguínea. Assim, ocorre o enfraquecimento do sistema imunológico, tornando o organismo mais suscetível a doenças. Como resultado, o indivíduo apresenta quadros infecciosos de forma recorrente, tais como na boca (aftas), pele, e bexiga (cistite).

 

8 – Cicatrização lenta: Também é comum que a cicatrização de machucados e feridas se torne mais demorada. Isso porque durante o processo é necessário um conjunto de reações para que os tecidos se reorganizem e reparem o trauma sofrido. Se há glicose em excesso circulando de forma constate e um sistema imunológico não funcionando plenamente, a pele não recebe irrigação suficiente para recuperar o tecido lesionado.

 

9 – Pele escura na região do pescoço: Outro possível sinal de alerta é o desenvolvimento de manchas escuras na pele, que podem estar espalhadas ou serem percebidas apenas nas dobras, especialmente na virilha, axilas e, na maior parte dos casos, ao redor do pescoço (a pele da região também tende a parecer aveludada ou mais espessa).

 

Essa condição, conhecida como acantose nigricans, ocorre devido aos altos níveis de insulina na corrente sanguínea, que fazem com que as células da pele se reproduzam mais rapidamente do que o normal. A acantose nigricans é comum especialmente nos casos de diabetes tipo 2.

 

10 – Formigamentos nas mãos ou pés: Quando o aumento do açúcar no sangue é frequente e não diagnosticado, com o tempo, tende a atingir as fibras nervosas de diferentes partes do corpo. Esses danos podem ocorrer em qualquer lugar, mas em geral afetam mãos e pés. A degeneração progressiva de nervos dessas regiões faz com que ocorra a perda de sensibilidade, dor, dormência e formigamento das extremidades.

 

Nesse sentido, se o alto nível de açúcar danificar os nervos e os vasos sanguíneos que levam sangue ao pênis, é possível surgirem questões que interferem na atividade sexual, provocando a disfunção erétil. Isso geralmente afeta os homens com diabetes tipo 2. Nas mulheres, estudos apontam a baixa excitação e pouca lubrificação como algumas das consequências.

 

Outros sinais de atenção

Vale destacar ainda a possível ocorrência de dores de cabeça, náusea e vômito, bem como a irritabilidade provocada por mudanças rápidas no nível de açúcar no sangue. No caso de diabéticos, o hálito com cheiro de frutas, acetona ou esmalte de unha é outro indício.

 

Alerta para o coração!

Com muita glicose no sangue, o nível de colesterol aumenta, formando um número maior de placas de gordura nas artérias coronárias (as responsáveis por irrigar o órgão), que correm o risco de serem obstruídas. O excesso de glicose na circulação favorece ainda a produção de coágulos, que, da mesma maneira, podem bloquear as coronárias.

 

A obstrução desses vasos, parcial ou total, tem como consequência o surgimento de fatores de risco, doenças e eventos cardíacos, como hipertensão, insuficiência cardíaca, aneurisma da aorta e o infarto do miocárdio. Existe a possibilidade de que o mesmo processo ocorra em outras artérias do corpo. O resultado pode ser, por exemplo, a falta de sangue no cérebro e um acidente vascular cerebral (AVC).

 

Controle constante

No entanto, o açúcar não deve ser tido como um vilão. Ele está naturalmente presente em alimentos que contêm carboidratos, como frutas, vegetais, grãos e laticínios, e é fundamental ao corpo. O necessário é que seu consumo seja adaptado a cada condição de saúde.

 

E não importa o quanto cuidadoso seja, quem tem diabetes provavelmente vai apresentar a hiperglicemia em alguns momentos. Episódios leves e ocasionais, de modo geral, não são motivo de preocupação. Entretanto, o quadro se torna potencialmente perigoso se os níveis de açúcar no sangue ficarem muito elevados ou permanecerem altos por longos períodos.

 

Importante salientar que é possível conviver com o diabetes por meses ou anos até que os sintomas se tornem evidentes ou que as alterações nos níveis de glicose sejam detectadas em exames de rotina. O agravante é que muitos acreditam que sem sinais o problema está sob controle ou nem exista. Por isso, vale reforçar que estamos falando de uma doença crônica, que não tem cura e precisa de atenção e monitoramento regular.